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Seção 6 - Distúrbios Pulmonares

Capítulo 81 - Tumores do Pulmão

Os tumores de pulmões podem ser primários benignos ou malignos, bem como de metástases de cânceres primários de muitos outros órgãos e tecidos. Os tumores pulmonares primários incluem o carcinoma broncogênico (tipo mais comum de câncer de pulmão), carcinóide brônquico e um número de tipos raros.

O carcinóide brônquico (adenoma brônquico) pode ser benigno ou maligno e ocorre igualmente em ambos os sexos. Seu curso é prolongado. A porção endobrônquica do adenoma dilata-se e obstrui o lúmen do brônquio principal. Freqüentemente ocorre sangramento agudo da membrana mucosa que o recobre. São comuns pneumonias recorrentes dentro da mesma zona pulmonar e dor na pleura próxima. As metástases são incomuns mas podem ocorrer nos linfonodos regionais.

Os tumores pulmonares primários menos comuns incluem hamartoma condromatoso (benigno), linfoma solitário e o sarcoma (malignos). Às vezes, os pulmões são envolvidos por linfomas multifocais.

Metástases para os pulmões são comuns nos cânceres primários de mama, cólon, próstata, rim, tireóide, estômago, colo do útero, reto, testículo e ossos e por melanoma.

CARCINOMA BRONCOGÊNICO
É o tumor primário altamente maligno, responsável pela maioria dos tumores no pulmão e têm um prognóstico muito pobre.

O carcinoma broncogênico é responsável por > 90% de todos os tumores pulmonares. É a segunda causa mais comum de câncer nos homens (13%) e a terceira nas mulheres (13%). É a primeira causa de morte por câncer entre os homens (32%) e mulheres (25%) e sua incidência está aumentando mais rapidamente nas mulheres. A doença é mais comum entre 45 e 70 anos.

Etiologia
O tabagismo é a principal causa de carcinoma broncogênico sendo responsável por > 90% dos casos em homens e > 80% em mulheres, sendo que 87% de todos os cânceres de pulmão são atribuídos à exposição ao tabaco. Uma forte correlação dose-resposta é vista nos três tipos mais comuns de câncer pulmonar: células escamosas, células pequenas e adenocarcinoma; a inclinação da curva é maior para o carcinoma de células pequenas e menor para o adenocarcinoma. Recentes estudos epidemiológicos corroboram os dados anteriores de que a suspensão do fumo pode adiar a ocorrência do câncer de pulmão e reduzir o risco de cânceres histológicos específicos. Uma pequena proporção de cânceres pulmonares (15% em homens e 5% em mulheres) está relacionada a agentes ocupacionais, freqüentemente superpostos ao fumo: asbestos, radiação, arsênio, cromatos, níquel, éteres clorometílicos, gás mostarda (de uso bélico) e emissões de fornos de coque. O papel exato da poluição do ar ainda é indefinido. A exposição ao gás radon dentro de casa pode ser importante em um pequeno número de casos, contudo, um grande estudo do tipo caso-controle aninhado realizado na Finlândia não demonstrou um aumento do risco de cânceres pela exposião ao gás radon dentro de casa.

Ocasionalmente, cânceres pulmonares, especialmente adenocarcinoma e carcinoma de células alveolares, estão associados a cicatrizes pulmonares. Alteração do DNA, ativação de oncogênicos celulares e estimulação por fatores de crescimento, atualmente são consierados de suma importância na fisiopatologia do câncer de pulmão.

Patologia
Geralmente, distinguem-se quatro tipos histológicos de carcinoma broncogênico: células escamosas surgindo freqüentemente nos brônquios maiores e difundindo-se comumente por extensão direta e metástases em linfonodos; pequenas células indiferenciadas produzindo metástases hematogênicas precocemente; células grandes indiferenciadas, geralmente se difundem através da corrente sangüínea; e adenocarcinoma, comumente periférico, geralmente se difunde através da corrente sangüínea. Todos os tipos também se disseminam através dos linfáticos.

O carcinoma broncoalveolar, um subtipo do adenocarcinoma, consolida os espaços aéreos, freqüentemente não se estende além dos pulmões. Embora exista uma forma solitária, este tumor, às vezes distingue-se do carcinoma broncogênico por sua origem multifocal.

Sintomas e sinais
As manifestações dependem da localização do tumor e do tipo de disseminação. Uma vez que a maioria dos tumores primários é endobrônquica, geralmente há tosse com ou sem hemoptise. Nos pacientes com bronquite crônica, o aumento de intensidade e intratabilidade da tosse preexistente sugere neoplasia. O escarro proveniente de um tumor
brônquico ulcerado geralmente não é excessivo (embora ocasionalmente possa ser profuso e aquoso nos carcinomas de células alveolares), porém contém exsudato inflamatório e freqüentemente tem filamentos de sangue. A hemoptise é incomum no câncer pulmonar de células pequenas. Sangramento copioso (incomum) sugere fortemente a invasão de grandes vasos sangüíneos subjacentes. O estreitamento brônquico pode produzir retenção de ar com sibilos localizados e geralmente provoca atelectasia com desvio ipsilateral do mediastino, expansão diminuída, macicez à percussão e ausência de murmúrios. A infecção do pulmão obstruído provoca febre, dor torácica e perda de peso. Dor torácica localizada e persistente sugere invasão neoplásica da parede torácica. Tumores nodulares periféricos são assintomáticos, até invadirem a pleura ou a parede torácica e causar dor ou metastatizarem-se para órgãos distantes. Sintomas tardios incluem fadiga, fraqueza, exercícios físicos diminuídos, piora da tosse, dispnéia, falta de apetite, perda de peso e dor. Derrames pleurais serossanguinolentos malignos são comuns e freqüentemente grandes e recorrentes.

Síndrome de Horner (devido à invasão dos nervos simpáticos toracocervicais) consiste de enoftalmia, miose, ptose e anidrose facial ipsilateral. Na síndrome de Pancoast (devida à infiltração do plexo braquial e costelas e vértebras vizinhas com tumores apicais), os sintomas são dor, dormência e fraqueza do braço associado. As duas síndromes podem coexistir.

Um tumor pode se estender diretamente ao esôfago, produzindo obstrução, às vezes complicada por fístula. A invasão do nervo frênico pode produzir paralisia diafragmática. Aspectos clínicos de envolvimento cardíaco incluem arritmias, cardiomegalia e derrame pericárdico. Obstrução da veia cava superior e paralisia do nervo laríngeo recorrente esquerdo (provocando rouquidão) são produzidas pela extensão direta do tumor ou pela extensão do tumor a partir de linfonodos vizinhos.

A síndrome da veia cava superior, obstrução da drenagem venosa leva à dilatação das veias colaterais da parte superior do tórax e pescoço; edema e pletora de face, pescoço e parte superior do dorso, incluindo mamas; sufusão e edema da conjuntiva; dispnéia na posição supina e sintomas relativos ao SNC (por exemplo, cefaléia, distorção visual e alterações de consciência). Apesar de ser uma situação clínica dramática, essa síndrome exige cuidado urgente, porém não de emergência. Se houver uma massa mediastinal não diagnosticada, o mais importante é fazer o diagnóstico histológico.

A disseminação intrapulmonar de câncer primário e secundário pode produzir carcinomatose linfangítica com cor pulmonale subagudo, piora da hipoxemia e dispnéia grave. São comuns metástases nodulares hematogênicas secundárias nos pulmões, porém a invasão brônquica secundária é rara. É comum a disseminação hematogênica de neoplasias pulmonares primárias para o fígado, cérebro, adrenais e ossos, que podem ocorrer precocemente, resultando em sintomas destes locais antes que os sintomas pulmonares tornem-se óbvios.

São numerosas as síndromes paraneoplásicas, que são efeitos extrapulmonares remotos de tumores extrapulmonares (ver TABELA 81.1). Levam a distúrbios metabólicos e neuromusculares não relacionados ao tumor primário ou às metástases. Podem ser o primeiro sinal de ocorrência ou recorrência. Mas não indicam necessariamente que o tumor tenha se disseminado para fora do tórax. Na osteoartropatia pulmonar hipertrófica (a mais conhecida), ocorre baqueteamento dos dedos e dos artelhos e elevação periosteal nas partes distais dos ossos longos. Todos os níveis do sistema nervoso podem ser afetados, ocorrendo principalmente encefalopatia, degeneração cerebelar subaguda, encefalomielite, síndrome de Eaton-Lambert (ver Cap. 177) e neuropatia periférica (ver Cap. 183). Pode se desenvolver poliomiosite e dermatomiosite ou síndromes metabólicas, devido à produção de substâncias com atividade hormonal (ver Cap. 10). Carcinomas de células pequenas podem secretar ACTH ectópico, resultando na síndrome de Cushing ou ADH, com retenção de água e hiponatremia e também estão associados à síndrome carcinóide (rubor, sibilos, diarréia e lesões valvulares cardíacas). Tumores de células escamosas podem secretar substâncias que produzem hipercalcemia. Outras síndromes endócrinas associadas a carcinomas pulmonares primários incluem ginecomastia, hiperglicemia, tireotoxicose e pigmentação cutânea. Também podem ocorrer distúrbios hematológicos, incluindo púrpura trombocitopênica, reação leucemóide, anemia mieloftísica, policitemia e trombose marântica.

Diagnóstico
As fontes principais de informação diagnóstica são a história, que levanta a suspeita de tumor e fornece precocemente a informação quanto à localização e a radiografia torácica, que visualiza e localiza a lesão e seus efeitos anatômicos. Contudo, estudos em larga escala, realizados em vários centros oncológicos, não demonstraram quaisquer vantagens no mapeamento do câncer, usando-se raios X e análises de amostras do escarro. Contudo, alguns cânceres foram detectados precocemente com esses métodos. A detecção precoce parece não afetar a média de sobrevivência.

Quando se suspeita de câncer de pulmão, o seguinte passo depois da radiografia torácica é a obtenção de tecido para exame histológico e confirmação do diagnóstico. O exame físico geralmente é inespecífico. Sinais de doença metastática (linfonodos aumentados ou hepatomegalia) podem ser encontrados ocasionalmente. Outras manifestações físicas extrapulmonares foram discutidas anteriormente. Os padrões radiológicos dependem do local de envolvimento: brônquio principal, segmentar e periférico.

Nos pacientes assintomáticos, encontra-se freqüentemente massa nodular periférica no raio X. Lesões < 5 a 6mm de diâmetro não podem ser detectadas. Radiografias prévias são valiosas para se saber se houve crescimento recente. Com nódulos solitários menores, radiografias superpenetradas e TC de tórax podem demonstrar calcificações, cuja quantidade deve ser maior que uma pinta para diagnosticar um tumor benigno ou um processo granulomatoso crônico e excluir câncer pulmonar. Tomografias computadorizadas podem demonstrar lesões pequenas invisíveis por outras técnicas e podem ser úteis no estadiamento, sugerindo a presença ou ausência de disseminação nodal. Ocasionalmente, é necessária a IRM do tórax; ela é mais útil no imageamento da parede torácica e da extensão dos tumores de Pancoast no corpo vertebral.

Nos pacientes sintomáticos, a radiografia torácica pode mostrar estreitamento e irregularidade brônquica, infiltração parenquimatosa ou atelectasia. Pode ser visível cavitação numa área obstruída ou num tumor periférico. Não é comum enfisema obstrutivo. Raramente, as radiografias revelam zonas de infiltração ou obstrução em lobos separados, que não podem ser explicados por um único foco neoplásico, mas que resultam da invasão difusa dos linfáticos submucosos da árvore brônquica. Derrames pleurais estão freqüentemente associados a tumores infiltrantes ou periféricos; o exame citológico do líquido pleural ou biópsia pleural podem confirmar o diagnóstico. Raramente, o escarro é positivo para as células tumorais quando não houver focos demonstráveis da doença.

O uso da IRM torácica é experimental, no diagnóstico e tratamento do câncer de pulmão. A IRM pode fornecer uma definição mais acurada dos planos teciduais antes da ressecção cirúrgica do câncer.

A broncoscopia é utilizada para visualizar e biopsiar tumores brônquicos. Com um broncoscópio rígido, o campo visual é limitado ao brônquio principal e suas divisões primárias, porém a extensão do tumor pode ser efetivamente determinada. Por biópsia da carina ou ao acaso, e pode-se sentir a resistência produzida pelas massas extrabrônquicas. Utilizando-se o broncoscópio flexível, pode-se explorar os brônquios subsegmentares para demonstrar e coletar amostras de tumores através de lavados, escovados e biópsia. Muitos cirurgiões realizam uma mediastinoscopia pré-operatória para avaliar os linfonodos hilar e mediastinais para confirmar o diagnóstico e separar tumores operáveis
dos não operáveis.

A toracotomia exploradora pode estabelecer o diagnóstico e a ressectabilidade do tumor, porém é necessária em < 10% dos casos. As contra-indicações incluem metástases distantes ou mediastinais e insuficiência cardiorrespiratória. A exploração é desnecessária quando se demonstra metástases por mediastinoscopia ou mediastinotomia paraesternal (a qual tem substituído amplamente a exploração do nódulo escaleno), ou por biópsia pleural ou hepática (ver Cap. 65). Linfonodos palpáveis e nódulos cutâneos metastáticos fornecem material diagnóstico importante.

O estadiamento do câncer pulmonar é útil do ponto de vista prognóstico, bem como para comparação e seleção de tratamento ou controle. Pode ser feito clinicamente, porém é mais preciso após procedimentos que obtenham informação sobre a extensão da doença, tanto local como sistêmica, especialmente após toracotomia. Tomografias computadorizadas podem mostrar metástases no fígado, cérebro e glândulas adrenais. A cintilografia pulmonar pode confirmar envolvimento ósseo por metástase. A presença de tumores primários e metástases pode ser estabelecida diretamente por estudos citológicos de escarro e pela biópsia tecidual.

O sistema TNM (tumor, nódulo, metástase) é uma padronização para estadiamento, exceto para carcinoma de pequenas células (ver Diagnóstico e Estagiamento no Cap. 142). O carcinoma de células pequenas geralmente já produziu metástases no momento do diagnóstico; é estadiado como limitado (confinado a um hemitórax com ou sem envolvimento do mediastino e linfonodos supraclaviculares ipsilaterais) ou extenso (disseminação da doença além deste ponto).

Diagnóstico diferencial
O diagnóstico diferencial dos nódulos pulmonares inclui corpos estranhos, pneumonia não segmentar e manifestações pulmonares endobrônquicas e focais de TB, micoses sistêmicas e doenças auto-imunes, e a doença metastática causada por um câncer primário extratorácico. Nódulos pulmonares solitários são particularmente difíceis de diferenciar.

Nódulo pulmonar solitário é uma lesão única, independentemente do tamanho, circundada por parênquima pulmonar em pelo menos dois terços de sua circunferência, não tocando o hilo nem o mediastino, e sem atelectasia ou derrame pleural associados. Causas importantes de nódulos pulmonares solitários incluem neoplasias, infecção e doenças vasculares do colágeno. Aproximadamente 40% dos nódulos pulmonares solitários são malignos, sendo o carcinoma broncogênico o mais freqüente 90%. A causa infecciosa mais comum é o Coccidioides immitis, Histoplasma capsulatum, ou Mycobacterium tuberculosis, dependendo da localização geográfica. Das doenças vasculares do colágeno, a AR e a granulomatose de Wegener, são as causas mais comuns.

Nódulos pulmonares solitários devem primeiramente ser avaliados por comparação com radiografias torácicas prévias (se disponíveis). Uma lesão que não aumentou em > 2 anos sugere uma etiologia benigna. A TC ajuda a detectar a calcificação (geralmente um sinal de uma etiologia benigna) e nódulos associados.

A determinação da etiologia de lesões crescentes ou novas requer culturas ou exame histológico. Amostras para cultura e de tecido podem ser obtidas por aspiração transtorácica com agulha, biópsia transbrônquica, toracostomia ou toracotomia. Uma lesão pode ser considerada benigna apenas se for obtido um diagnóstico específico. As doenças benignas, raramente causam a síndrome da veia cava superior (ver anteriormente), embora a TB, doenças fúngicas, tireóide retroesternal e aneurismas aórticos possam. As neoplasias malignas, incluindo o linfoma, doença de Hodgkin, carcinoma das pequenas células, carcinoma das células escamosas, tumores das células germinativas, e câncer da mama, freqüententemente causam a síndrome.

Prognóstico e profilaxia
O carcinoma broncogênico tem um prognóstico reservado. Em média, pacientes com carcinoma broncogênico não tratados sobrevivem 8 meses; cerca de 10 a 35% dos tumores são ressecáveis, porém a taxa de sobrevida global após 5 anos é 13%. Nos pacientes com tumores bem circunscritos de crescimento lento, a taxa de sobrevida após 5 anos da excisão varia de 15% nos pacientes no Estádio IIIA não carcinoma de pequenas células até 70% nos pacientes com Estádio I não carcinoma de pequenas células. Obtêm-se melhores resultados em pacientes com lesões nodulares periféricas tratados por lobectomia. Um segundo câncer pulmonar desenvolve-se em 6 a 12%. Como quase todos os pacientes com câncer pulmonar de células pequenas apresentam disseminação fora do local primário no momento do diagnóstico, raramente, o carcinoma das pequenas células pode ser resseccionadas cirurgicamente num estágio precoce, mas como os tumores provavelmente recorrerão, a quimioterapia adjuvante com cisplatina e etoposida, geralmente é recomendada. Em 25 a 50% dos casos, desenvolve-se um segundo câncer primário após o tratamento precoce do carcinoma das células pequenas.

A prevenção do carcinoma broncogênico inclui evitar o fumo e a exposição à substâncias potencialmente carcinogênicas, nas indústrias. Estão em andamento, estudos de quimioprofilaxia ao segundo câncer primário.

Tratamento
O tratamento de escolha para o câncer pulmonar, exceto o de células pequenas nos Estágios I e II é a ressecção cirúrgica; pacientes no Estágio IV ou carcinoma IIIB com derrame pleural maligno não são candidatos à cirurgia. Pacientes com classificação T3N0M0 ou T3N1M0 (por causa de invasão de parede torácica), devem ser considerados para ressecção cirúrgica. Deve ser realizada na ausência de contra-indicações, a saber: evidência de disseminação além do pulmão, localização endobrônquica do tumor muito próxima à traquéia e outras condições graves (por exemplo, doença da artéria coronária ou função pulmonar inadequada por DPOC). Deve ser feita TC de tórax e abdome superior (incluindo fígado e glândulas adrenais) em todos os pacientes considerados para cirurgia. Deve ser obtida a TC ou IRM do cérebro de todos os pacientes que estejam sendo considerados para cirurgia, para se pesquisar a existência de quaisquer sinais e sintomas neurológicos anormais como paralisia dos nervos cranianos, alterações do campo visual, diminuição do nível de consciência ou déficits de concentração. O mapeamento ósseo é necessário, se o paciente queixar- se de dor ou sensibilidade óssea, ou se a fosfatase alcalina estiver elevada devido a um aumento da fração óssea.

Pacientes idosos não devem ser excluídos da ressecção cirúrgica. O câncer de pulmão é um tumor altamente agressivo no idoso. A sobrevida em pacientes com câncer de pulmão não tratado, geralmente é < 8 meses. Isto em comparação com a expectativa média de vida nos EUA, que é de 11,1 e 14,8 anos, respectivamente, para homens e mulheres com 70 anos. O fator limitante para sobrevida é o tumor e não a idade.

Para fornecer uma margem de segurança da divisão brônquica proximal ao tumor, as lesões endobrônquicas centrais geralmente exigem pneumonectomia e remoção dos linfonodos vizinhos. Os tumores que se estendem para a parede torácica podem ser removidos em bloco; têm-se relatado que a radiação pré-operatória é benéfica,  especialmente nos tumores apicais de Pancoast.

O uso da quimioterapia neoadjuvante nos Estádios II, IIIA, e IIIB não carcinoma de pequenas células é promissor. Quando administrada antes da cirurgia, no Estágio II ou IIIA e, antes da radioterapia definitiva, no Estágio IIIA ou IIIB, a quimioterapia  neoadjuvante pode reduzir significativamente a carga tumoral e melhorar e aumentar a sobrevida. Alguns estudos da quimioterapia adjuvante mostram-se promissores; contudo, os resultados gerais têm impedido a formação de um consenso a respeito do seu papel no  tratamento do não carcinoma de pequenas células resseccionado ou definitivamente irradiado.

A avaliação da função pulmonar não fornece respostas definitivas para a questão da operabilidade, porém existem algumas regras simples para decidir quanto à toracotomia, tendo em mente que a extensão da ressecção somente pode ser determinada na cirurgia e que pode ser necessário pneumonectomia. Os critérios funcionais para pneumonectomia são volume expiratório forçado em 1s (VEF1) > 2L e > 50% da CVF observada. Além disso, CO2 (PaCO2) deve ser normal ao repouso. Se não forem satisfeitos quaisquer destes critérios, então deve-se avaliar a função pulmonar regional através de um mapeamento de perfusão diferencial quantitativo e um mapeamento de ventilação, se disponível. (O VEF1 previsto para o pós-operatório é igual à porcentagem de perfusão do pulmão não ressecado multiplicado pelo VEF1 pré-operatório.) Se estes estudos indicarem que o VEF1 do paciente ainda será > 800mL ou 30 a 40% do VEF1 normal previsto após pneumonectomia, então o risco pode ser considerado aceitável, reconhecendo-se que a atividade do paciente será limitada.

A radioterapia tem benefício comprovado no controle da dor óssea, compressão da medula espinhal, metástase cerebral e obstrução brônquica. Algumas vezes utiliza-se a irradiação ao invés de cirurgia, quando a toracotomia for contra-indicada devido à insuficiência cardiorrespiratória ou outras doenças graves. Por 3 meses após a irradiação, os pacientes devem ser vigiados cuidadosamente quanto à aparição de sinais radiológicos e clínicos (incluindo tosse, dispnéia e febre) de pneumonite actínica, a qual pode ser controlada com prednisona 60mg ao dia VO durante aproximadamente 1 mês seguido de retirada gradual. A irradiação craniana profilática deve ser reservada para pacientes com câncer pulmonar de células pequenas que tenham demonstrado uma resposta completa ao tratamento. Ela diminui as metástases cerebrais subseqüentes mas não demonstrou prolongar a média de sobrevida. A braquiterapia pode ser eficaz no tratamento das lesões endobrônquicas e quando elas obstruem os brônquios maiores, na sua paliação.

A quimioterapia com múltiplas drogas, especialmente a cisplatina e os inibidores da topoisomerase – com ou sem radioterapia – têm permitido maiores taxas de sobrevida do que a cirurgia nos pacientes com carcinoma de pequenas células; as curas são raras (ver TABELA 144.1). Algumas melhoras com as drogas têm sido reportadas, mas os estudos para determinar a combinação quimioterapêutica para o carcinoma broncogênico, estão em andamento. A quimioterapia nos não carcinomas de pequenas células não ressecáveis nos Estádios IIIA, IIIB, ou IV parece aumentar a média de sobrevivência em 6 a 12 semanas acima da média, e pode efetivamente melhorar os sintomas da doença nos pacientes que respondem. As drogas ativas nesta doença incluem os componentes cisplatinos (cisplatina e carboplatina), alcalóides da vinca (vinorelbina, vincristina, vimblastina), taxinas (docetaxel e paclitaxel) e vários inibidores das topoisomerases.

Pode haver necessidade de drogas broncodilatadoras, O2, broncoscopia por laser e fisioterapia para obstrução de vias aéreas. Administra-se antibióticos para tratar as infecções complicantes.

Após a remoção do tumor primário, têm-se excisado metástases solitárias ou ocasionalmente múltiplas para os pulmões; a taxa de sobrevida após 5 anos é cerca de 10%.

Nos pacientes com câncer pulmonar incurável são comuns ansiedade e dor persistente. São necessários combinações de sedativos, narcóticos e outras drogas (ver DOR DO CÂNCER no Cap. 167).

Como muitos pacientes com câncer no pulmão morrem, o cuidado terminal deve ser antecipado, (ver Cap. 294). Nos estágios terminais, podem ser necessárias altas doses de morfina via gotejamento IV, para aliviar a sensação angustiante de falta de ar e dor. Os avanços nos cuidados paliativos, incluindo o desenvolvimento de potentes drogas transdérmicas (como o fentanil) têm proporcionado uma melhora nos cuidados terminais, com um aumento do número de pacientes que podem morrer em paz em casa.

Se for feito o diagnóstico de síndrome da veia cava superior, a terapia consiste de quimioterapia (para o carcinoma das microcélulas, linfoma ou tumores das células germinativas) ou radioterapia (para o câncer de mama, carcinoma das células escamosas, ou linfoma). Quando esta síndrome dever-se a um câncer de pulmão, os corticosteróides são menos úteis do que se as causas forem outras doenças, como um linfoma, mas eles podem oferecer algum benefício.

Os tumores brônquicos benignos devem ser removidos cirurgicamente por causa dos efeitos adversos da localização, possibilidade de crescimento e do potencial para a transformação maligna. A maioria dos tumores benignos periféricos não são diagnosticados até uma exploração cirúrgica e excisão.

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