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Seção 9 - Odontologia e Estomatologia

Capítulo 105 - Distúrbios da Região Oral

A pele e a mucosa dos lábios são demarcadas por uma borda de cor vermelho-vivo. A mucosa observada ao se ver a face é ceratinizada e seca; a mucosa do aspecto interno dos lábios é não ceratinizada e úmida.

A mucosa bucal, incluindo o vestíbulo e a mucosa alveolar não ceratinizada, é geralmente regular, úmida e rosa. Entidades inócuas, tais como a linha alba (uma linha branca fina, tipicamente bilateral, no nível do plano oclusal, onde a bochecha é mordida), grânulos de Fordyce (que também ocorrem nos lábios) e nevo esponjoso branco (pregas brancas grossas sobre a maior parte da mucosa bucal, exceto a gengiva), podem ser vistas nesta região. Reconhecê-las evita biópsia sem agulha e apreensão. Os orifícios dos ductos da parótida são opostos ao primeiro molar superior de cada lado.

Uma distribuição anormal da mucosa oral ceratinizada e não ceratinizada demanda atenção. Pede-se a um paciente que use dentaduras totais ou parciais que as retire, de modo que os tecidos moles subjacentes possam ser vistos. Normalmente, o epitélio ceratinizado é encontrado no aspecto facial dos lábios, dorso da língua, palato duro e gengiva ao redor da base de coroas dentais e sobre o osso alveolar cobrindo parte das raízes dos dentes. A mucosa não ceratinizada é encontrada sobre o osso alveolar mais posteriormente às coroas dos dentes, dentro dos lábios, nas bochechas, nas laterais e superfície inferior da língua, no palato mole e assoalho da boca. O tecido ceratinizado, que é encontrado em áreas normalmente não ceratinizadas, parece branco. Esta condição anormal, chamada leucoplasia, requer uma biópsia, pois pode ser pré-cancerosa.

O palato está envolvido na ressonância e articulação vocais normais. O palato duro anterior é o local da papila incisiva atrás dos incisivos centrais. Atrás dele estão as rugas, cristas firmes que seguram o alimento para que não escorregue, enquanto a língua se move debaixo dele. O palato mole sem osso deve se elevar simetricamente quando um paciente diz “ah”.

A úvula está suspensa na linha média no final do palato mole. Ela varia muito em comprimento. Uma úvula longa ou excesso de tecido velofaríngeo estão associados a ronco e em algumas pessoas podem predispor à apnéia obstrutiva do sono (ver SÍNDROMES DE APNÉIA DO SONO no Cap. 173).

A superfície dorsal da língua é coberta por várias elevações esbranquiçadas, as papilas filiformes. Disseminadas entre elas estão as proeminências avermelhadas isoladas, as papilas fungiformes, que são encontradas principalmente na parte anterior da língua. As papilas circunvaladas, que são consideravelmente maiores, situam-se posteriormente. Estas não se projetam da língua, mas são circundadas por uma vala. As papilas foliáceas parecem como uma série de pregas semelhantes a cortes paralelos nas bordas laterais da língua, próximo aos pilares anteriores da fauce. Variam em comprimento e podem ser facilmente confundidas com lesões. As tonsilas linguais podem ser consideradas componentes do anel de Waldeyer e são vistas posteriormente no dorso da língua.

Os nervos linguais (ramos do V nervo craniano) fornecem inervação sensorial geral e as fibras da corda timpânica (do VII nervo craniano) inervam os botões gustativos dos dois terços anteriores da língua. Atrás das papilas circunvaladas, os nervos glossofaríngeos (IX nervo craniano) fornecem as sensações de tato e paladar. A integridade nervosa pode ser determinada pelo teste do paladar em ambos os lados do dorso da língua com açúcar, sal, vinagre e quinina. Os receptores de paladar doce e salgado estão localizados na ponta e próximo a ela; azedo, nas laterais; e amargo, na parte mais posterior da língua. Os nervos hipoglossos (XII nervo craniano) controlam o movimento da língua.

De cada lado, o assoalho da boca está marcado anteriormente, próximo da linha média, pela abertura do ducto de Wharton, o qual drena as glândulas ipsilaterais submandibular e sublingual.

As principais glândulas salivares são as glândulas parótida, submandibular e sublingual em pares. A maioria das superfícies mucosas orais contém muitas glândulas menores salivares secretoras de muco. As glândulas anormais sublinguais e submandibulares podem ser sentidas quando o assoalho da boca é palpado bimanualmente. Um aumento da parótida ocorre pré-auricularmente ou sobre o ramo mandibular.

Muitos distúrbios podem afetar a região oral (ver TABELA 105.1 e em outros locais deste MANUAL). As lesões benignas da região oral são freqüentemente bilaterais; os cânceres orais bilaterais são raros. O lábio e o palato fendidos são discutidos no Capítulo 261.

INFLAMAÇÃO DA MUCOSA ORAL
A inflamação da boca pode ser causada por infecção, doença sistêmica ou um agente físico. Quando disseminada, constitui estomatite.

Infecções bacterianas – Geralmente, o agente causal é um estreptococo. Mycobacterium tuberculosis pode produzir úlceras orais inoculadas através de catarro dos pulmões. A sífilis pode produzir um cancro primário. Se não tratada, a sífilis pode produzir placas mucosas secundárias e uma goma terciária (ver Cap. 164). Neisseria gonorrheae produz ulcerações em queimação da gengiva e língua, assim como a faringite. A actinomicose cervicofacial (mandíbula encaroçada) pode lembrar uma infecção fúngica, mas é bacteriana (ver ACTINOMICOSE no Cap. 157). Grânulos amarelos (“enxofre”) no exsudato purulento são patognomônicos.

A noma (estomatite gangrenosa) é uma infecção bacteriana inespecífica e principalmente de fusoespiroquetas, na qual ocorre uma grande destruição tecidual, até de espessura total, em uma pessoa debilitada. Pode ser considerada uma forma extrema de gengivite ulcerativa necrosante aguda (ver Cap. 106), que normalmente afeta apenas as gengivas.

Infecções virais – A boca é um local comum de infecções virais. Algumas são clinicamente significantes, principalmente em pessoas imunocomprometidas. As infecções por herpesvírus são discutidas adiante.

Infecções fúngicasCandida albicans e espécies relacionadas são normais na flora oral. Podem crescer excessivamente em pessoas que tomaram muitos antibióticos (particularmente de amplo espectro) ou corticosteróides, e em pessoas debilitadas, tais como pacientes com AIDS. A candidíase geralmente parece coágulos de queijo que, quando removidos, deixam uma superfície ferida sangrante. As formas eritematosa crônica e erosiva são mais difícieis de reconhecer (ver também CANDIDÍASE no Cap. 113). Lesões orais e paraorais raramente ocorrem em blastomicose, histoplasmose, coccidioidomicose, criptococose (principalmente em pacientes debilitados) e mucormicose (particularmente nos seios de diabéticos – ver Cap. 158).

Doenças sistêmicas – A febre escarlatina produz língua em morango devido à hipertrofia das papilas fungiformes. A pelagra produz uma língua lisa de cor vermelho-vivo, boca dolorida e ulcerações mucosas. As lesões orais hemorrágicas podem ser encontradas em eritema multiforme (ver adiante), escorbuto, leucemia, púrpura trombocitopênica e distúrbios plaquetários. O sangramento não provocado, salivação diminuída e um odor de amônia acompanham estomatite urêmica. A síndrome de linfonodos mucocutâneos (síndrome de Kawasaki) afeta crianças, causando eritema dos lábios e mucosa oral (ver SÍNDROME DE KAWASAKI no Cap. 265).

Outras causas – A estomatite pode resultar de hipovitaminose (particularmente falta de vitaminas B ou C), anemia por deficiência de ferro com disfagia (como na síndrome de Plummer-Vinson) ou agranulocitose. A mordida de bochechas, respiração bucal, dentes pontudos, aparelhos ortodônticos, próteses maladaptadas ou mamadeiras com bicos duros ou muito longos podem causar lesão da mucosa local. A xerostomia (ver ACHADOS ORAIS EM DISTÚRBIOS SISTÊMICOS no Cap. 103) predispõe a boca à infecção. A estomatite pode surgir depois do uso excessivo de álcool, tabaco, alimentos quentes ou condimentados, assim como a sensibilização a ingredientes no creme dental, anti-séptico bucal, corantes de doces, batons ou, raramente, próteses acrílicas. A exposição ocupacional a corantes, metais pesados, fumaças ácidas, ou poeira mineral ou metálica e o uso de drogas, tais como iodetos e barbitúricos (que podem causar a síndrome de Stevens-Johnson), pode produzir lesões orais. Raramente, a estomatite de contato pode resultar da sensibilidade a materiais dentais. A acrodinia pode ser causada por uma reação tóxica ao mercúrio ou por hipersensibilidade a várias substâncias; hoje, a exposição ao mercúrio é rara. A acrodinia ocorre em crianças e é caracterizada por ulcerações orais, salivação abundante, bruxismo (travar ou ranger de dentes) e perda de dentes.

A estomatite pseudomembranosa (membranosa), uma reação inflamatória que produz exsudato do tipo membrana, pode ser causada por irritantes químicos (por exemplo, ouro, iodetos) ou por bactérias (por exemplo, estreptococos, estafilococos, gonococos, Corynebacterium diphtheriae). Podem ocorrer febre, linfadenopatia e mal-estar.

INFECÇÕES POR HERPESVÍRUS
O herpes simples primário (tipicamente contraído quando criança) resulta em gengivostomatite herpética aguda. Geralmente se deve ao vírus do herpes simples do Tipo 1, mas, através do contato orogenital, pode ser devido ao vírus do herpes simples do Tipo 2. Começa como pequenas vesículas que se rompem rapidamente formando úlceras. Quando inicialmente localizada, pode lembrar estomatite aftosa, mas o herpes primário sempre afeta a gengiva aderida e pode afetar outros tecidos, enquanto a estomatite aftosa nunca afeta a gengiva aderida. Com herpes, freqüentemente estão presentes febre e dor. A dificuldade para alimentar-se e beber pode levar à desidratação. A infecção tipicamente dura de 10 a 14 dias. O vírus então se move para o gânglio semilunar e pode ser reativado por estresse, mudanças no sistema imunológico ou trauma.

O tratamento é sintomático. Inclui analgésicos sistêmicos (por exemplo, acetaminofeno) e anestésicos tópicos aplicados diretamente com um chumaço de algodão (por exemplo, diclonina a 0,5% líquida ou benzocaína 2 a 20% na forma de pomada). Quando áreas grandes são afetadas, a lidocaína viscosa a 5% pode ser usada como um antiséptico bucal 5min antes da refeição. (NOTA – A lidocaína não deve ser engolida, pois anestesia a orofaringe, hipofaringe e, possivelmente, a epiglote. As crianças devem ser observadas quanto a sinais de aspiração.)

A erupção do herpes simples secundário ocorre na borda vermelha do lábio ou, muito menos comumente, como ulcerações da mucosa do palato duro. Geralmente, um paciente nota uma sensação prodrômica, tipicamente um formigamento ou queimação do lábio. Durante a fase prodrômica, o tratamento com aciclovir oral 200mg 5 vezes ao dia pode diminuir a duração e gravidade da erupção. O aciclovir tópico não ajuda. A duração das lesões pode ser diminuída em cerca de 1 dia aplicando-se penciclovir a 1% em creme a cada 2h enquanto estiver acordado. Deve-se iniciar durante o pródromo ou imediatamente após o primeiro aparecimento de uma lesão.

O herpes zóster secundário pode ocorrer intra-oralmente (ver INFECÇÕES POR HERPESVÍRUS no Cap. 162). Ele é raro, porém deve-se suspeitar quando houver uma distribuição unilateral abrupta de lesões herpetiformes. Não ocorre nenhuma lesão prodrômica intra-oral primária.

ESTOMATITE AFTOSA RECORRENTE
(Úlceras Aftosas Recorrentes; Aftas Ulceradas) Tipicamente, as aftas menores (< 1cm de diâmetro, geralmente < 5mm) ocorrem isoladamente ou em pequenos grupos, e são curadas sem deixar cicatriz. São lesões circulares brancas circundadas por uma margem eritematosa. A área central consiste de células epiteliais necróticas e fragmentos que, quando removidos, revelam uma base vermelha. Aftas maiores (periadenite mucosa necrótica recorrente) são lesões > 1cm. Elas persistem por semanas e deixam uma cicatriz após serem curadas. Podem recidivar em intervalos de poucos anos ou ocorrer continuamente, com novas lesões aparecendo antes de serem curadas as antigas.

As aftas ocorrem no tecido móvel, tipicamente não ceratinizado (por exemplo, na superfície interna dos lábios, na mucosa bucal e alveolar, língua, palato mole, orofaringe e assoalho da boca), distinguindo-as das lesões herpéticas, que podem parecer similares inicialmente, mas também são encontradas em áreas mucosas ceratinizadas imóveis da boca (isto é, gengiva e palato duro). Devido ao seu tamanho, as úlceras aftosas são desproporcionalmente dolorosas. A dor tende a diminuir após 4 a 5 dias e as lesões são curadas em 10 a 14 dias.

Tratamento
Geralmente, nenhum tratamento é necessário. Um anestésico tópico, tal como 5mL de lidocaína viscosa a 2% (1 colher de chá), como um anti-séptico bucal a cada 3h ou antes das refeições fornece um alívio de curta duração e facilita a alimentação. Uma pasta protetora da mucosa de carboximetilcelulose (Orabase, com ou sem triancinolona a 0,1%) aplicada 4 vezes ao dia previne a irritação das úlceras pelos dentes, próteses dentais e fluidos orais. Ela também reduz o desconforto e promove a cicatrização. A cauterização química ou física pode ser usada para diminuir a dor. Os bastões de nitrato de prata têm sido usados, porém a aplicação de energia em modo pulsante, não focada e de pouca intensidade (2 a 3W) de um laser de CO2 pode fornecer alívio quase instantâneo. As aftas menores tendem a não recidivar em um local que recebeu ação de laser previamente.

Para uma grande erupção de aftas, uma suspensão de tetraciclina 125mg/mL (feita dissolvendose o conteúdo de uma cápsula em uma colher de chá de água) pode ser bochechada por 1 a 2min, então eliminada. Este tratamento é repetido 4 vezes ao dia até que os sintomas sejam aliviados, normalmente em 1 dia. De outro modo, a suspensão oral de tetraciclina (250mg, 4 vezes ao dia, durante 10 dias) é mantida na boca por 2 a 5min, então engolida. O tratamento precoce, iniciado quando o paciente sente um pródromo, pode abortar uma erupção. A tetraciclina não deve ser administrada a crianças < 9 anos de idade porque ela descolore os dentes em desenvolvimento. Uma outra opção é bochechar com uma colher de chá de clorexidina a 0,12% por 30 segundos, 2 vezes ao dia. Freqüentemente, este bochecho também escurece os dentes, mas um dentista pode remover a descoloração de maneira relativamente fácil em pacientes jovens que não possuem exposição radicular significante.

Para episódios graves de aftas menores ou para aftas maiores, o tratamento consiste de ambas as terapias, tópica e sistêmica, com corticosteróides (por exemplo, 1 colher de chá de elixir de dexametasona 0,5mg/5mL para bochechar e então cuspir, após as refeições e na hora de dormir, por 5 dias; prednisona 40mg/dia VO inicialmente, diminuindo gradativamente por 10 dias). A lidocaína viscosa proporciona alívio. O gel tópico de fluocinonida a 0,05%, 3 vezes ao dia, pode ser aplicado às aftas maiores. Um bochecho paliativo pode ser feito com elixir de Dimetapp 40mL, Kaopectate 80mL e água destilada 120mL. Ele deve ser bem agitado antes de usar. Uma colher de chá é bochechada por 1 a 2min, então eliminada. É usado à vontade.

ERITEMA ORAL MULTIFORME
É uma estomatite agudamente dolorosa caracterizada por lesões hemorrágicas difusas dos lábios e mucosa oral, usualmente com sintomas constitucionais.

As lesões oral, ocular e genital podem ocorrer juntamente com lesões dérmicas e ser extensas, mesmo sem lesões dérmicas (ver também ERITEMA MULTIFORME no Cap. 118).

Sintomas, sinais e diagnóstico
Os sintomas prodrômicos podem incluir rinite e sinusite. As vesículas múltiplas se formam no estágio inicial. Sintomas constitucionais graves (febre, mal-estar, artralgia) se desenvolvem e usualmente persistem por 4 a 5 dias. Conforme regridem, as ulcerações hemorrágicas disseminadas típicas se desenvolvem. Os lábios ficam comumente sangrantes e com crostas, mas, ao contrário do pênfigo ou penfigóide, as gengivas raramente são afetadas.

O eritema multiforme deve ser diferenciado de estomatite alérgica, estomatite herpética aguda primária e, mais raramente (nos adultos), pênfigo, os quais podem produzir sintomas constitucionais similares. Geralmente, pode-se suspeitar de estomatite alérgica pela anamnese.

Tratamento
Na fase aguda, as lesões orais podem ser tratadas com corticosteróides sistêmicos (prednisona 10mg, VO, 3 vezes ao dia, durante 5 dias) ou elixir de dexametasona 0,5mg/5mL (1 colher de chá 4 vezes ao dia, durante 5 dias) como um bochecho, que é então engolido. Um colutório morno de solução de bicarbonato de sódio a 10% e trociscos anestésicos, ungüentos ou soluções (por exemplo, lidocaína viscosa a 2%) podem ser usados 5 ou 6 vezes ao dia. O ungüento de petrolato pode acalmar as lesões labiais. Sem tratamento com corticosteróides, as lesões podem persistir por 3 a 8 semanas ou mais. Quando as lesões intra-orais interferem na alimentação, uma dieta líquida ou pastosa ajuda, mas a desidratação pode necessitar de terapia de fluidos IV. Com o tratamento, a melhora é rápida e as lesões usualmente são curadas sem deixar cicatriz. A recidiva não é comum.

NEOPLASIAS
Os cânceres da cavidade oral e faringe constituem > 2% de todas as neoplasias recentemente diagnosticadas e 1,5% das mortes por câncer (ver também Cap. 89). A taxa de sobrevida de 5 anos para pacientes com carcinoma de célula escamosa, a lesão mais comum da cavidade oral, é de 68%, sem envolvimento de linfonodos e 25% com metástases para nodos locais. Outras neoplasias incluem ceratoacantoma (benigno), carcinoma verrucoso (uma lesão de crescimento lento, usualmente exofítica bem diferenciada, cuja metástase tarda, caso ocorra), sarcoma, carcinoma mucoepidermóide e melanoma maligno, cujo local intraoral mais comum é o palato.

CARCINOMA DE CÉLULAS ESCAMOSAS
Cerca de 38% dos carcinomas de célula escamosa intra-oral ocorrem no lábio inferior. A taxa de sobrevida total de 5 anos é de 90% e as metástases são raras. O carcinoma do lábio superior tende a ser mais agressivo. O tratamento é a excisão cirúrgica. Quando grandes áreas do lábio exibem mudança pré-maligna, o lábio pode ser aplanado cirurgicamente ou pode-se usar laser para remover toda a mucosa afetada. Depois disso, recomenda-se aplicação de protetor solar e o uso de tabaco deve cessar.

Cerca de 11% dos carcinomas de célula escamosa intra-orais começam no palato e área tonsilar. A taxa de sobrevida de 5 anos é de 68% se os pacientes forem tratados antes do comprometimento dos linfonodos, porém é de apenas 17% depois disso. O tratamento consiste primariamente de radioterapia.

Cerca de 40% dos carcinomas de célula escamosa intra-orais começam no assoalho da boca ou língua. Os principais fatores de risco são o fumo (especialmente > 2 maços/dia) e uso de bebidas alcoólicas; o risco aumenta dramaticamente com > 6 drinques de 30mL de bebida alcoólica com 86 de graduação alcoólica, 171mL de vinho ou 342mL de cerveja por dia. O efeito parece ser sinérgico quando o tabaco e o álcool são usados. Remover os fatores de risco é crucial para evitar a recidiva. Uma nova lesão primária se desenvolve em 30% dos pacientes que continuam a usar tabaco e álcool, mas em apenas 13% daqueles que param. O carcinoma de célula escamosa de língua também pode resultar da síndrome de Plummer-Vinson, sífilis ou trauma crônico. As lesões orais podem aparecer em áreas de eritroplasia ou leucoplasia, podendo ser exofíticas ou ulceradas. Ambas as variantes são endurecidas e firmes com borda enrolada e biópsia justificada, particularmente onde estiver manchada. Na língua, a localização mais comum é a borda lateral do terço médio; as lesões anteriores são mais facilmente encontradas e têm maior probabilidade de serem altamente diferenciadas e, conseqüentemente, de serem curadas do que as lesões posteriores. Se o carcinoma de língua for localizado (sem envolvimento de linfonodos), a taxa de sobrevida de 5 anos é de cerca de 50%. Para o carcinoma do assoalho da boca localizado, a taxa de sobrevida de 5 anos é de 65%; com metástase de linfonodos, ela cai para 20%. O tratamento de lesões da língua pode consistir de excisão cirúrgica, radioterapia, ou uma combinação. A determinação do envolvimento de nodos pode necessitar de dissecção cervical. Devido à anatomia do assoalho da boca, freqüentemente utiliza-se apenas radioterapia. Metástases distantes são raras, de forma que a quimioterapia freqüentemente não é usada. Quando metástases estão presentes, em geral estão localizadas no pulmão, ossos, coração e pericárdio.

NEOPLASIAS DE GLÂNDULAS SALIVARES
As neoplasias de glândulas salivares são encontradas mais comumente nas glândulas parótidas (85%), seguidos pelas glândulas submandibulares e menores. Cerca de 1% surge nas glândulas sublinguais. A maioria (75 a 80%) são nódulos benignos, de crescimento lento, móveis, indolores, geralmente solitários, abaixo da pele ou mucosa normal. Ocasionalmente, quando císticos, são firmes. O mais comum é o adenoma pleomórfico benigno (tumor misto), ocorrendo principalmente em mulheres > 40 anos de idade. A transformação maligna é possível, resultando em carcinoma extumor misto. O tratamento é cirúrgico. A taxa de recidiva é alta quando a excisão for incompleta. Outros tumores benignos de glândula salivar incluem adenoma monomórfico, oncocitoma e cistoadenoma papilar linfomatoso. Estes raramente recidivam ou se tornam malignos.

As neoplasias malignas de glândula salivar (20 a 25%) são caracterizadas por crescimento rápido ou um surto inesperado. São firmes, nodulares e usualmente fixos a  um tecido adjacente, mas freqüentemente apresentam periferia mal delimitada. A dor e o envolvimento neural são comuns e, eventualmente, a pele ou mucosa sobre eles pode se tornar ulcerada. O carcinoma mucoepidermóide é a malignidade mais comum, ocorrendo tipicamente em pessoas da 3ª à 6ª décadas de vida. Ocorre comumente em uma glândula salivar menor do palato; qualquer inchaço retromolar inexplicado é considerado um carcinoma mucoepidermóide até que se prove o contrário. Este câncer pode ocorrer profundamente dentro do osso, freqüentemente na parede de um cisto dentígero. Todos os tipos de carcinoma mucoepidermóide podem ser metatastizados. A taxa de sobrevida de 5 anos é de 95% com o tipo de baixo grau, afetando principalmente as células mucosas; e 50% com o tipo de alto grau, afetando principalmente as células epidermóides. O tratamento consiste de excisão ampla e radiação pós-operatória.

O carcinoma cístico adenóide (cilindroma) é a neoplasia maligna mais comum das glândulas salivares menores. O tratamento é a excisão cirúrgica ampla, mas a recidiva local é comum. São prováveis metástases pulmonares e óbito.

O carcinoma de células acínicas, um tumor parotídeo comum, ocorre em pessoas na 5ª ou 6ª décadas de vida. O prognóstico é favorável após ampla excisão. O carcinoma ex-tumor misto é usualmente um adenocarcinoma que surge de um tumor misto benigno preexistente. Apenas o elemento carcinomatoso dissemina-se por metástase.

A radiação de cânceres da cabeça e pescoço apresenta efeitos indesejáveis. A função de qualquer glândula salivar, no âmbito do feixe radiante, é destruída de forma permanente por uma dose de aproximadamente 40Gy. O suprimento sangüíneo do osso, particularmente da mandíbula, é comprometido por doses > 60Gy, e a osteorradionecrose (ver Cap. 292) pode ocorrer. A radiação também causa mucosite oral e queimaduras na pele irradiada. A quimioterapia e a mucosite, que freqüentemente a acompanha, às vezes resultam em xerostomia. Entretanto, um pouco da função salivar usualmente retorna várias semanas após completar a quimioterapia.

NEOPLASIAS MAXILARES E MANDIBULARES
ências ósseas (toro palatino, toro mandibular) podem se desenvolver na maxila e mandíbula; são benignas e apenas de preocupação se interferirem no cuidado dental. Os osteomas múltiplos nas radiografias sugerem síndrome de Gardner (ver POLIPOSE FAMILIAR no Cap. 34).

Se não forem inicialmente detectados em radiografias, os tumores de maxila e mandíbula são diagnosticados clinicamente, porque seu crescimento causa inchaço da face, palato ou processo alveolar (a área da maxila ou mandíbula ao redor dos dentes). Causam sensibilidade óssea e dor forte que se origina no osso afetado. O ameloblastoma, a neoplasia odontogênica epitelial mais comum, usualmente surge na mandíbula posterior; é lentamente invasiva, porém raramente metastática. Na radiografia, parece tipicamente como uma radiolucência multiloculada ou em bolhas de sabão. O tratamento é a excisão cirúrgica agressiva. O odontoma, a neoplasia odontogênica mais comum, é um tumor do folículo dental ou dos tecidos dentais, que usualmente aparece nas mandíbulas de pessoas jovens. Os odontomas incluem odontomas fibrosos e cementomas. Um dente molar ausente sugere odontoma composto. Nenhum tratamento é usualmente necessário para odontoma, apesar deles serem excisados quando o diagnóstico estiver duvidoso. Osteossarcoma, tumor de células gigantes, tumor de Ewing, mieloma múltiplo e tumores metastáticos podem afetar maxila e mandíbula. O tratamento é o mesmo dos tumores em outros locais ósseos do corpo.

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